Há alturas em que não sei muito bem como reagir com o público... Ou melhor, não sei bem como fazer o público reagir.
Às vezes fico na dúvida se a minha "parafernália de auxiliares" confunde ou intimida quem assiste. Reacções do género «Com playback também eu...!» são frequentes. Por um lado, eu tenho tendência para considerar isto uma espécie de elogio, visto que se soa a playback, sabendo eu que não o é e que tudo é feito ao vivo, isto mostra-me o quão bem soa. Mas, por outro lado, tenho de reconhecer que tal reacção não é gerada a partir de um pressuposto de elogio, mas antes de crítica negativa.
Quando não tinha qualquer tipo de pedaleiras e acessórios, e tudo era feito de forma mais singela e quase "caseira", as pessoas pareciam apreciar muito mais.
Já tive longas conversas sobre este assunto com outros amigos músicos e não músicos, e é muito difícil chegar a uma conclusão...
Alturas há em que as pessoas querem mais do que um simples rapazote com uma guitarra, a tocar música que toda a gente conhece. Noutros casos, aparece sempre alguém que atribui o mérito daquilo a que assistiu à componente electrónica, em vez de reconhecer o esforço e investimento pessoal de quem actua.
Tenho também de reconhecer que me sinto mais "solto" e "natural" quando sou só o rapazote com uma guitarra. Aquilo a que alguns seguidores já começam a chamar as "sessões unplugged".
Tudo isto me faz pensar (muito) se valerá a pena investir o meu tempo e energia em alargar o espectro de som que tenho para oferecer, ou se permanecer no campo "unplugged" é realmente o que as pessoas gostam e querem apreciar...
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Às vezes fico na dúvida se a minha "parafernália de auxiliares" confunde ou intimida quem assiste. Reacções do género «Com playback também eu...!» são frequentes. Por um lado, eu tenho tendência para considerar isto uma espécie de elogio, visto que se soa a playback, sabendo eu que não o é e que tudo é feito ao vivo, isto mostra-me o quão bem soa. Mas, por outro lado, tenho de reconhecer que tal reacção não é gerada a partir de um pressuposto de elogio, mas antes de crítica negativa.
Quando não tinha qualquer tipo de pedaleiras e acessórios, e tudo era feito de forma mais singela e quase "caseira", as pessoas pareciam apreciar muito mais.
Já tive longas conversas sobre este assunto com outros amigos músicos e não músicos, e é muito difícil chegar a uma conclusão...
Alturas há em que as pessoas querem mais do que um simples rapazote com uma guitarra, a tocar música que toda a gente conhece. Noutros casos, aparece sempre alguém que atribui o mérito daquilo a que assistiu à componente electrónica, em vez de reconhecer o esforço e investimento pessoal de quem actua.
Tenho também de reconhecer que me sinto mais "solto" e "natural" quando sou só o rapazote com uma guitarra. Aquilo a que alguns seguidores já começam a chamar as "sessões unplugged".
Tudo isto me faz pensar (muito) se valerá a pena investir o meu tempo e energia em alargar o espectro de som que tenho para oferecer, ou se permanecer no campo "unplugged" é realmente o que as pessoas gostam e querem apreciar...
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5 comentário(s):
Prelúdio: já percebeste que, quando acabares de ler as respostas que eventualmente venhas a ter à tua questão, vais ficar na mesma, certo? ;-)
Grande Mestre,
Já estás farto de me ouvir falar sobre este teu dilema (e temas relacionados), portanto vou ser breve.
Mesmo descontando o facto de que sou apologista de uma atitude de equilíbrio entre algum respeito pelo público e uma atitude "fuck you - love me!", imagino que muitas pessoas concordarão comigo quando te digo que é importante que produzas em palco aquilo que as pessoas esperam quando te vão ver - João Peneda.
Ou seja, na minha opinião, deves decidir-te por uma imagem de marca que queres transmitir (não precisa de ser sempre a mesma - os espaços onde tocas não são todos iguais, e ainda por cima as pessoas e arte evoluem), e depois deves apostar nela o mais honestamente possível durante o tempo em que planeares usar essa imagem.
E a chave é precisamente essa: honestidade!
Quanto ao resto, reconheceres que tens talento e que deves geri-lo com humildade deveria chegar-te como combustível.
Finalmente, tens de aceitar o facto que as pessoas que menos gostaram do teu trabalho serão sempre mais audíveis (para ti, psicológica ou efectivamente) do que as que te admiraram enquanto estiveste em palco (que provavelmente ficaram caladas para te poder ouvir melhor! :-))
Grande abraço deste teu fã e amigo incondicional
Olá. Daqui fala a tua fã incondicional :)Já assisti a bastantes actuações tuas, e a meu ver, acabas sempre por conseguir cativar o público, de uma maneira ou outra. Com ou sem material electrónico, com ou sem a tua guitarra preferida, acho que consegues sempre transmitir a tua energia de uma forma muito positiva. Claro que existem sempre aqueles que têm algum comentário menos construtivo para te oferecer, mas se formos a ver, as pessoas que apreciam são sempre mais do que as que ficam com o pé atrás! Acho que não perdes nada em alargar o teu repertório, pois podes sempre continuar a ser o rapazote com a guitarra. E há sítios em que vão gostar mais de coisas diferentes, e há sítios em que vão gostar mais de uma coisa simples. Eu gosto de todas as maneiras :P Continua com força :) Becca
Embora, haja uma margem de ''desconfiança'' possível, é certo que, quem gosta de música e a compreende minimamente, mesmo não estando familiarizado com as ''novas'' tecnologias,não consegue ficar indiferente á tua qualidade como executante que é notável...é um dilema que nada tem de dramático... pois normalmente, o pessoal que te acusa de fazeres play back, só se apercebe porque estás sozinho.... se tivesses um acompanhante sem som nem reparavam , onde quero chegar...não me parece que devas, por causa de alguns comentários de gente menos informada, correr o risco de perder a tua identidade, como músico... segue o teu feeling... varia consoante os ambientes...mas quanto a mim não deves abdicar dessas ferramentas que, desde que utilizadas sem exageros... só valorizam o teu trabalho.
Parabéns.. Continua...
Olá João,
Vi uma actuação tua pela 1.ª vez no dia 30 de Julho no Jet7 - Figueira da Foz.
Poucos termos de comparação tenho em relação a actuações tuas anteriores.
Mas ADOREI! Simplesmente AMEI!!! E nunca me passou pela cabeça o "playback".
Amei especialmente "Ben Harper - My Kisses" e acho que foi fenomenal.
Independentemente das criticas (positivas ou negativas) que ouças elas sempre irão existir... Sejas simplesmente tu e a guitarra... Ou utilizando tu as "ferramentas".
Acho que deves continuar e seguir em frente... Nunca baixar os braços. Certamente irão aparecer pessoas como eu que... AMARAM a tua actuação, a tua performance, tudo!
Continua e muitos parabéns. Ah, e já agora. Já dava jeito uma visita a Viseu, não???
Beijoca
João, segue por onde te levar a imaginação. A crítica, também serve para te aperceberes, se estás a ir ou não no caminho certo. Posso dizer com toda a certeza, que quem diz comentários do tipo"...com plaYback...",normalmente, é quem não sabe do que está a falar.Na versão "unplugged" és aquilo que eu chamo "certinho". Mas a música não é só feita de guitarra e voz. Se te sentes bem, quando utilizas as "máquinas" e se o resultado final agrada principalmente a ti, e depois a quem te ouve...onde é que está a dúvida? O mérito é só teu, que passas o tempo a preparar o material para os espectáculos, e quando estás em palco.
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